Imóveis voltam a ser boa alternativa. |
27/12/2008 |
A compra de imóveis volta a ser uma opção mais rentável e segura de investimento, diante de aplicações como as da poupança e da Bolsa de Valores. O setor, que comemora o crescimento de 2008 como o melhor da década, espera que a procura cresça.
A eufórica compra de imóveis em 2008, quando a velocidade de venda (quantidade que se vende no mês) chegava a 12,5%, se estendeu até setembro. Hoje, voltou ao patamar dos 5%. “Estamos na faixa de 4% a 3,5% com tendência de crescimento”, explica o presidente do do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis do Ceará (Creci-CE), Armando Cavalcante, acrescentando que em meados de 2009 as vendas deverão voltar a atingir o crescimento normal entre 5% e 6%. De outubro para cá, as vendas ficaram menos aquecidas, “mais pé no chão”, mas continuaram em bom ritmo. Empreendimento lançado na avenida Beira-Mar, por exemplo, vendeu 40% das unidades após uma semana.
Para Cavalvante, houve arrefecimento só por parte das pessoas que estavam comprando por impulso. “Nesse momento, compra quem precisa para morar ou quer investir, ter uma renda de aluguel”, completa, ressaltando que no médio prazo um imóvel se valoriza mais que qualquer outro investimento e tem retorno é garantido. Destaca, porém, que o ideal é procurar a orientação de um corretor, profissional que pode indicar as melhores condições de pagamento, como e onde comprar.
O presidente da Cooperativa da Construção Civil no Ceará (Coopercon-CE) e dono da Construtora Colméia, Otacílio Valente, diz que com certeza aqueles que investirem em imóveis em áreas com crescente valorização como Porto das Dunas, Água Fria, Cocó e Eusébio terão ganho real acima da inflação.
Adianta que os analistas de modo geral têm dito que este não é o momento de comprar e ainda mais bens de valor alto ou com financiamento de longo prazo, o que contribui para a diminuição das vendas. Segundo ele, não houve grande redução, até porque nos meses de dezembro e janeiro, que virão, geralmente as vendas são menores. “Está todo mundo em compasso de espera, mas acredito que depois do Carnaval as coisas já estarão equilibradas”, afirma, considerando que todas as grandes empresas também deram uma segurada nos lançamentos à espera da acomodação do mercado, para saber a extensão da crise.
CONFIANÇA:
Valente também está confiante nas medidas que o Governo Federal promete adotar para beneficiar a construçâo civil e incentivar a compra de imóveis. Tanto ele quanto Cavalcante elogiam o convênio do Governo do Estado com a Caixa Econômica Federal para financiamento da casa própria para os 130 mil servidores estaduais. “Isso vai dar uma alavancagem grande e o setor vai produzir porque tem uma compra certa”, diz o presidente do Creci-CE, parabenizando o Governo pela iniciativa. O presidente da Coopercon-CE diz que a medida vai ajudar a aquecer o mercado, sob uma garantia de baixa inadimplência.
Os dois têm números diferentes para o crescimento da indústria da construção civil em 2008 mas ambos são muito bons. Cavalcante diz que, no Brasil, o setor cresceu 27% e no Ceará, um dos estados com maior crescimento no País, em torno de 20%. “Tudo isso porque houve alavancagem de recursos grande onde o Governo Federal colocou R$ 30 bilhões e os bancos completaram um investimento total de cerca de R$ 50 bilhões no mercado imobiliário este ano”, considera, estimando que em 2009 a construção civil deva crescer em torno de 10%.
Para Otacílio Valente, o setor deve fechar 2008 com um crescimento de 10%. Salientou que o Nordeste cresceu acima da média brasileira e destaca que, se a crise não tivesse aparecido no terceiro trimestre, o desempenho seria ainda mais fabuloso.
Fonte: O Povo - 27 de dezembro de 2008.
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